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Tragédia no Rio: o preço do Mindset Urgente


Quem acompanha meus livros e textos sabe que falo bastante sobre o conceito de criar um “mindset” (modelo mental) antecipado ao invés do modelo mental da última hora, que insistimos em manter.

Criar um mindset antecipado significa ter maior previsibilidade, maior controle sobre as demandas, diminuir o volume de urgências e pensar no amanhã ao invés de simplesmente no agora.

Nossa cultura brasileira, por diversos fatores históricos, tem forte tendência a ter um mindset da urgência, ou seja, nosso famoso “jeitinho brasileiro” sempre faz com que deixemos tudo para a última hora.

Esse modelo no dia-a-dia pessoal, causa transtornos de falta de tempo, mas quando isso é levado a uma cultura corporativa ou a um governo, causam verdadeiras tragédias anunciadas.

A tragédia no Rio de Janeiro foi mais uma prova disso. Já reparou como o Brasil funciona dessa forma? A catástrofe precisa acontecer diversas vezes, para tormarmos alguma providência. Se acontece uma ou outra vez, passa em branco, mas quando vira constante ai alguém se toca.

Líderes urgentes, negligentes criam esse estado no time. Governantes e autoridades com esse mindset urgente, se transformaram em assassinos. Eles praticaram 644 homicídios culposos (sem intenção de matar) nessa última tragédia no Rio.

Por que não foram tomadas providências antes da urgência? Se as autoridades foram avisadas das condições climáticas com alguns dias de antecedências por que nada foi feito? Não deu tempo? Não há desculpas para o que aconteceu!

Infelizmente não é só o caso das chuvas. Temos uma outra tragédia anunciada: o sistema penitenciário e o sistema de justiça brasileiro. Vão ter de matar alguém muito importante para mudar a lei? E os aeroportos então? Até fuzil já embarcaram no avião e as autoridades disseram que nada pode ser feito!

Bando de assassinos! Negligentes. Até quando vamos ter de esperar pessoas morrerem pela negligência de vocês? Não há desculpas. Ou vocês foram incompetentes ou negligentes. A urgência tomou conta e o importante ficou em segundo plano.

Em outras Países, é muito diferente. Vamos a um exemplo aqui do nosso lado, Chile. Todos sabem que eles sofrem muito devido aos terremotos, mas estão preparados. Por lá, todos os prédios construídos seguem rígidas normas sísmicas, as cidades tem avisos sonoros que a qualquer suspeita são acionados. As escolas tem treinamento em caso de emergência. Nos últimos terremotos poucas pessoas morreram, porque o Importante prevaleceu.

Eu vi na TV, um caso similar na Austrália. Por lá eles recebem via correio, uma carta, avisando da possibilidade de enchente e os procedimentos que devem ser tomados. No Japão, conforme você pode ler nesse post é similar!

Essa não é a primeira tragédia do País, foi apenas a pior. Com certeza, com o problema do aquecimentos teremos mais problemas. De acordo com o G1, a pior catástrofe brasileira havia sido a chuva de 1967 em Caraguatatuba, litoral de SP, que deixou 436 mortos. No ano passado, de janeiro a abril, o RJ teve 283 mortes relacionadas a temporais. Em SP, durante o 1º trimestre de 2010, quando a chuva destruiu São Luiz do Paraitinga e afetou outras 107 cidades, houve 78 mortes. Em 2008, na enchente que atingiu Santa Catarina, 135 morreram.

Quantas pessoas vão ter de morrer até alguém resolver mudar algo? Vamos começar a criar o mindset do Importante ao invés de viver o Mindset Urgente? Daqui a pouco temos Copa, Olimpíadas….

Infelizmente agora nada pode ser feito pelas vítimas que já se foram, o que podemos é ser solidários (nós brasileiros somos exemplo mundial) e apoiar as vítimas que ficaram. E cobrar esse bando de assassinos que tomem providências para que as próximas urgências não se transformem em catástrofes.

Fique com Deus.

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